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Livro: O Livro dos Mártires

  • 24 de fev.
  • 5 min de leitura
Livro "O Livro dos Mártires" de John Foxe sobre a mesa

Em 2009, quando eu trabalhava em uma loja de instrumentos musicais em Taubaté - SP, tinha cerca de uma hora e meia de almoço diariamente, além de ter pelo menos 1 hora de deslocamento ida e volta de ônibus, da minha cidade, Caçapava para o trabalho. Isso me permitiu ler e devorar um livro clássico da história da igreja: “O Livro dos Mártires” de John Foxe.


Me trancava todos os dias em um pequeno quartinho nos fundos da loja, tirava meus sapatos, me acomodava, e bem ali, enquanto lia as histórias de corajosos homens de Deus, que foram levados à morte por não negarem sua fé, me pegava chorando, algumas vezes rindo com suas respostas às autoridades que os questionavam, outras vezes, fechava repentinamente o livro e me colocava a refletir, o quanto eu, por bem menos, já trocara minha fé.


Lembro-me também que minha edição perdida deste livro (digo perdida porque emprestei para um amigo, que disse ter passado o livro a diante e nunca mais o vi), era uma versão mais atualizada na época, da Editora Mundo Cristão. Na abertura de cada capítulo, haviam gravuras de partes de corpos, machucados, com texturas em traços de desenhos feitos sob um tipo de chapa de metal, por um artista plástico. Aquelas gravuras, que separavam o sacrifício de um mártir, para outro, entre cada capítulo, me faziam mergulhar em meus pensamentos sobre resistir em meio ao sofrimento, por amor à Cristo!


Por isto, o livro que gostaria de encorajá-lo a ler e aprender, é este clássico da literatura e história da igreja cristã, de John Foxe, escrito 1559 e publicado em 1563.



JOHN FOXE, PERSEGUIDO, EXILADO, PORÉM, TEÓLOGO DEDICADO E HISTORIADOR


John Foxe (1516–1587) foi um historiador e teólogo protestante inglês, formado em Oxford, que viveu em meio às intensas convulsões espirituais e políticas do século XVI, durante a Reforma Protestante. Perseguido por sua fé, Foxe experimentou o exílio e dedicou sua vida a registrar o testemunho daqueles que sofreram por permanecerem fiéis ao evangelho.


O Livro dos Mártires (Actes and Monuments, 1563) foi escrito em um contexto de perseguição brutal aos protestantes, especialmente sob o reinado de Maria I da Inglaterra. A obra reúne documentos oficiais, relatos históricos e testemunhos diretos para preservar a memória dos que morreram confessando Cristo.


Mais do que um registro histórico, Foxe escreveu com um propósito pastoral e teológico: mostrar que Cristo governa Sua Igreja mesmo através do sofrimento, e que o sangue dos mártires testemunha a verdade do evangelho.



SOBRE O LIVRO DOS MÁRTIRES


A obra percorre a história da perseguição cristã desde a igreja primitiva até a Reforma, com ênfase especial nos mártires ingleses. Foxe demonstra que a fidelidade à Palavra de Deus sempre encontrou oposição violenta quando confrontou estruturas religiosas corrompidas.

Temas centrais desta obra incluem:


  • A autoridade suprema das Escrituras

  • O custo real do discipulado

  • A perseverança dos santos

  • A soberania de Deus sobre a história da Igreja



ALGUNS MÁRTIRES E CITAÇÕES DESTA LINDA OBRA


1. William Tyndale (1494 –1536)


Tradutor da Bíblia para o inglês, Tyndale foi executado por tornar as Escrituras acessíveis ao povo comum.


“Senhor, abre os olhos do rei da Inglaterra.” [William Tyndale]

Essa oração final, registrada por Foxe, revela um coração consumido não por ódio, mas por zelo pela glória de Deus e pela Palavra. Anos depois, a Inglaterra teria uma Bíblia autorizada — fortemente baseada na tradução de Tyndale.


Aplicação:


A fidelidade à Palavra de Deus pode custar tudo, mas Deus usa o sacrifício dos Seus servos para abençoar gerações futuras.



2. Hugh Latimer e Nicholas Ridley


Bispo reformadore queimado vivo em Oxford por se recusarem a negar a justificação pela fé.

Latimer declarou a Ridley antes da execução:


“Anime-se, Mestre Ridley, e seja homem; hoje acenderemos, pela graça de Deus, uma vela na Inglaterra que jamais se apagará.”

Aplicação:

A esperança cristã não está na preservação da vida terrena, mas na certeza de que a verdade de Deus não pode ser apagada.



3. Nicholas Ridley (c.1500 –1555)


Ridley foi bispo e teólogo reformado, defensor da justificação pela fé, tornou-se mártir ao ser queimado vivo ao lado de Latimer, enquanto bradou em alta voz:


“Na verdade, esta chama será a nossa passagem para a vida eterna.”

Aplicação:

A morte não é derrota para o cristão, mas entrada triunfal na presença de Cristo.



4. Thomas Cranmer (1489 –1556)


Arcebispo de Canterbury e autor do Livro de Oração Comum. Após fraquejar sob pressão e assinar uma retratação, arrependeu-se publicamente.

No momento da execução, colocou a mão que havia assinado a retratação no fogo primeiro, dizendo que ela deveria ser a primeira a queimar.


Aplicação:

Deus é gracioso com os que se arrependem sinceramente. Mesmo aqueles que caem podem terminar a corrida com fidelidade.



5. John Rogers (c.1500 –1555)


Foi um pregador reformado e colaborador na tradução bíblica. Morreu queimado vivo em Londres, deixando esposa e dez filhos.


“Aquilo que preguei com meus lábios, agora selo com meu sangue.”

Aplicação:

A fidelidade cristã envolve responsabilidade diante de Deus, acima até dos vínculos terrenos.



6. John Hooper (1495 –1555)


Foi um bispo reformado, defensor da simplicidade bíblica no culto.Também foi condenado e executado queimado lentamente, em extrema agonia. Suas últimas palavras foram:


“Senhor Jesus, recebe o meu espírito.”

Aplicação:

A verdadeira esperança sustenta o crente mesmo quando o sofrimento é extremo.



7. Anne Askew (1521–1546)


Foi uma jovem mulher reformada, profunda conhecedora das Escrituras. Foi sentenciada, torturada e queimada viva. Ainda assim partiu afirmando:


“Prefiro morrer a negar a verdade das Escrituras.”

Aplicação:

Deus levanta testemunhas fiéis independentemente de gênero ou posição social.



8. John Bradford (1510 –1555)


Foi um pregador piedoso, conhecido por sua vida santa. Morreu queimado vivo. Enquanto partia para execução, disse:


“Hoje jantarei com Cristo no céu.”

Aplicação:

A certeza da eternidade transforma o medo da morte em esperança viva.



9. Rowland Taylor


Foi um pastor fiel e zeloso por seu rebanho. Fora queimado em sua própria cidade. Instantes antes de morrer, afirmou:


“Ensinei-vos a verdade, e nela morro.”

Aplicação:

O verdadeiro pastor permanece fiel até o fim, custe o que custar.



10. Mártires anônimos da igreja primitiva e medieval


Além de mártires históricos, John Foxe dedica um capítulo às diversos cristãos comuns, desconhecidos aos homens, conhecidos por Deus.


Muitos deles foram brutalmente torturados, decapitados, queimados.


“Eles amaram mais a Cristo do que a própria vida.”

Aplicação:

A glória do cristão não está na memória histórica, mas em viver e morrer Coram Deo.



Conclusão — Um clássico indispensável para viver Soli Deo Gloria


O Livro dos Mártires, de John Foxe, permanece como um monumento histórico e espiritual que confronta a superficialidade da fé moderna e recorda que a Igreja foi edificada sobre o testemunho fiel dos santos.


Este livro nos ensina que:

  • A verdade é eterna

  • O sofrimento é passageiro

  • A glória de Deus é suprema


Para cristãos que desejam viver Coram Deo — diante da face de Deus, esta obra não é apenas leitura histórica, mas convocação à fidelidade, para que, em vida ou em morte, tudo seja feito para a Glória de Deus somente.


Ah, e sobre o meu primeiro exemplar perdido lá em 2009, infelizmente nunca mais o verei, por outro lado, comprei uma versão atualizada deste livro magnifico , e já o coloquei na minha lista de leitura para este ano 2026, e com certeza, depois de quase 17 anos, esta obra irá mais uma vez me impactar!


Soli Deo Gloria.

Fabio Bueno



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