Livro: Por que tarde o pleno avivamento?
- 31 de dez. de 2025
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Lembro-me que o ano era 2009. Lá estava eu, em Volta Redonda - RJ, em uma sala com alguns jovens apaixonados por Jesus, incentivados à leitura bíblica e também de bons livros teológicos. Estávamos na casa do saudoso amigo Pr.Jeff Fromholz, e no meio de uma conversa, alguém perguntou: 'hei, alguém aqui já leu ‘Por que tarde o pleno avivamento’ do Ravenhill?”
Imediatamente à pergunta, um, dois, três, quarto, de por fim o Pr.Jeff, todos unanimemente disseram “eu li”, “eu devorei este livro”, “este livro mudou minha vida com Deus”.
Na hora, saquei meu celular, e anotei o nome do livro. Naquela mesma semana, o adquiri, e simplesmente o li em questão de poucos dias, e posso afirmar: este livro é uma pregação à cada parágrafo. Lembro-me de grifar páginas inteiras, tamanho impacto causara em mim. Por vezes, me peguei chorando, uma ou outra vez, interrompi a leitura e coloquei-me a orar em arrependimento!
Minha perspectiva quanto “avivamento" mudou radicalmente com este livro!
Se têm algo que particularmente não gosto, julgue-me se quiser, é empresar meus livros. Mas este livro eu mesmo tive a iniciativa de passar pra frente, para um ou dois amigos, a ponto que ele nunca voltou, e precisei comprar outro exemplar. Dito isso, nem preciso comentar que o li pelo menos duas vezes, além de consultar porções de um capítulo ou outro, ocasionalmente.
Leonard Ravenhill não escreveu Por que tarda o pleno avivamento? para informar, mas para confrontar. Este não é um livro confortável, tampouco acadêmico no sentido tradicional. É um clamor. Um grito profético que ecoa contra a superficialidade espiritual, a oração negligenciada e a fé domesticada de uma igreja satisfeita consigo mesma.
A pergunta que dá título à obra não é retórica. Ravenhill responde com coragem: o avivamento tarda porque o povo de Deus não está disposto a pagar o preço.
“O avivamento não é falta de recursos divinos, mas ausência de quebrantamento humano.”
A ORAÇÃO: um dos eixos centrais deste livro
Com toda certeza, uma das teclas mais batidas em boa parte deste livro é o chamado à vida constante de clamor e oração, por isto, afirmo que um dos eixos centrais do livro é a oração — ou melhor, a falta dela. Ravenhill insiste que não há avivamento sem homens e mulheres que conheçam o chão, o silêncio e as lágrimas da oração secreta.
Para ele, a crise da igreja não é estrutural, litúrgica ou estratégica, mas espiritual. Perdemos o altar secreto e tentamos substituí-lo por métodos.
“Uma igreja que não ora está brincando de cristianismo.”
A oração, para Ravenhill, não é um apêndice da vida cristã, mas o termômetro da realidade espiritual. Onde há pouca oração, há pouca consciência de Deus. E onde Deus é pouco consciente, o pecado se torna tolerável.
E aqui neste ponto fui pego várias vezes durante a leitura e meditação: é como se pudesse ouvir este pastor e profeta gritando aos meus ouvidos, e aqui confesso, uma das áreas de minha vida que sempre foi e é uma grande luta, é a constância na oração como dependência diária do Senhor!
A SANTIDADE: como oxigênio que o cristão deve buscar a todo instante
Outro tema recorrente nos capítulos do livro é a banalização do pecado, logo, a nossa negligência na busca por Santidade ao Senhor, em cada detalhe da vida cristã. Ravenhill denuncia uma igreja que já não chora, que já não treme diante da santidade de Deus.
Ele afirma que não haverá avivamento enquanto o povo de Deus estiver mais preocupado com conforto do que com pureza, mais atento à reputação do que à fidelidade.
“Não existe avivamento verdadeiro onde o pecado é tratado com leveza.”
Para Ravenhill, o avivamento começa quando a igreja volta a levar Deus a sério — quando a santidade deixa de ser um conceito teológico e volta a ser uma realidade prática.
O QUE AVIVAMENTO NÃO É ?
Avivamento não é espetáculo, e ponto. Aqui fica claro a inversão de valores que a igreja moderna vê como "ser avivada ou não", pois, em nossos dias, o "mover de Deus" é medido por números, por engajamento, por quantidade de pessoas, por popularidade, e não por quebrantamento, arrependimento, e vida intima com Deus no particular e coletivo como comunidade e igreja.
Por isto, Ravenhill confronta esta confusão comum entre avivamento e eventos religiosos. Ele rejeita a ideia de que avivamento seja algo produzido por campanhas, slogans ou agendas cheias.
Avivamento, é uma obra soberana de Deus, precedida por arrependimento profundo, humilhação e oração perseverante.
“Deus não unge métodos; Ele unge homens.”
O problema, portanto, não é a ausência de movimento, mas a ausência de homens quebrantados.
POR FIM: AVIVAMENTO CUSTA CARO, POIS, LHE CUSTARÁ TUDO!
Ao longo do livro, Ravenhill deixa claro: o avivamento tem custo, e um custo muito alto: custa tempo, custa reputação, custa conforto. Custa noites em oração e dias de confronto consigo mesmo.
“O avivamento sempre começa com o povo de Deus se julgando a si mesmo.”
Enquanto esperamos que Deus mude o mundo, Ravenhill nos lembra que Deus começa mudando o coração da igreja.
CONCLUSÃO: SE VOCÊ DESEJA UMA VIDA CORAM DEO, ESTE LIVRO É PRA VOCÊ!
"Por que tarda o pleno avivamento?" é um livro para quem não se contenta com uma fé superficial. Para quem entende que viver Coram Deo — diante da face de Deus — exige mais do que palavras corretas: exige uma vida rendida.
No coração de quem vive Coram Deo, está exatamente esse chamado: viver cada dia sob o olhar santo de Deus, permitindo que Ele confronte, molde e transforme nossa fé no ordinário da vida.
Ler esta obra é ser confrontado à cada parágrafo e isso lhe trará profundos questionamentos como:
Como está minha vida de oração?
O pecado ainda me entristece?
Tenho vivido para a glória de Deus ou para minha própria conveniência?
Este livro não oferece atalhos, mas aponta o mesmo caminho antigo — o caminho da cruz, do arrependimento e da oração. Um caminho que, embora estreito, sempre foi o solo onde Deus escolheu derramar verdadeiro avivamento.
“O avivamento começa quando homens comuns passam a viver conscientemente diante de um Deus santo.”
Que essa leitura nos leve não apenas a desejar avivamento, mas a viver Coram Deo, todos os dias, para a glória de Deus.
Em Cristo,
Fabio Bueno



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